Os sinais do amor.

Mirabel é a típica garota do interior que, como todas as outras, é forçada a mudar quando vai para a cidade grande. A diferença é o porquê de ela ter ido. Desde o brusco assassinato de seu namorado, Mateus, pelo seu próprio pai, a cabeça da moça começou a funcionar de forma diferente. O que torna difícil distinguir o que é real do que é imaginação. Serão os fantasmas da sua mente ou a mente do seu fantasma? Mas a vida continua, ela precisa encontrar um novo amor. Só que isso não vai ser fácil, portanto, Mirabel vai precisar de uma ajudinha. E, olha só, adivinha de quem?

malditos.

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Tão doce... - cap. 1

Ele dirigia e ela olhava pela janela. Decerto, ele estava se sentindo poderoso. Ela ali, tão indefesa, com os cabelos ao vento e o sorriso no retrovisor. Os olhinhos brilhavam com o sol e com a emoção. Ambos, exarcebados, eufóricos. Por ela, a adrenalina, a curiosidade. Por ele, o poder.
Então, o que ele imaginava era só que ela estava em suas mãos. Não por obrigação ou medo. E sim por admiração, deslumbre. Ele achava que tinha poder sobre ela e que o tinha porque ela era regida por certa inocência, a qual nunca andara em carrões importados dirigidos por homens 30 anos mais velhos. Homens que queriam transformar essa inocência em curiosidade. Então, ele seguia pela estrada pensando na saia quente da garota e ela seguia os olhos pela mesma estrada, satisfeita o rumo que as coisas estavam tomando.
Ela não era nenhuma babaca. Aliás, só sendo muito boba para cair na conversa daquele velho safado. Já havia sido a moça iludida. Facilmente convencível. Já sonhou com casamentos e vidas simplesmente felizes. Ultimamente, vivia caindo em papinhos assim. Não gostava de lembrar quando tudo começou. Todas as noites em que a ficha caía, ela ficava estática deitada, olhando pro teto e percebendo quão idiota estava sendo. Porém, sem se culpar, sem se odiar, sem tentar mudar, sem se punir, sem se... surpreender... todas essas noites ficaram na memória. Então, ela dormia, inocente de culpa e de maldade. Desde que tudo começou.
Na verdade, não importa muito quantas bobagens se faz na vida. Se elas passam, não. Então críticas e julgamentos não a atingiam. Afinal, The Past is The Past.

The past is the past, ela colocava na cabeça. Tentava engolir as lembranças, para digerir o que já passou.

O passado é o passado. Mas como o que passa pode mudar tanto o que fica?

- Acabou! Ele não está mais aqui! – Ela fingia que pensava em outras coisas. Nos homens com os quais saía, nas festas, nas substâncias, na liberdade. Mas na verdade, o seu pensamento sempre estava nele. E Mirabel só notava isso quando falava algo assim, do nada, que só teria sentido para quem soubesse de sua história.

Mateus não estava mais ali. Nem ali perto, nem ali na cidade, nem ali no país, nem ali nesse mundo. Desde o incidente com o pai de Mirabel, no qual Mateus se meteu para evitar que a moça fosse violentada, ele não estava mais ali. O machado no celeiro, o cheiro do sangue na palha suja. O rapaz morto, Mirabel fugindo, seu pai ainda não havia desistido. Correu, gritou, algumas pessoas tentaram ajudar. Dois dias depois o enterro de Mateus e as malas prontas a caminho da cidade, para nunca mais voltar.

Mas como poderia viver sem ele? Ali ou em qualquer lugar? Principalmente naquele lugar. Moça de interior na cidade grande, com o coração partido pelo pai, ódio, saudades do amado, o único amado desde os seus 12 anos. O único beijo, o único segredo, o único toque, o único amigo. Ela não sabia mais viver sem ele.

Tentava fingir. Fingir que ele só estava longe. Fingir que apenas havia viajado por um tempo para longe dele. Fingir que iriam se reencontrar e seria uma noite muito especial.

Mas às vezes a verdade escapava...

- Acabou! Ele não está mais aqui!

- O que? Quem não está mais aqui? – Às vezes ela esquecia que estava acompanhada. E sempre estava acompanhada. Qualquer coisa para suprir a ‘falta’. Embora nada suprisse.

- Ah, nada, pensei alto. Tudo bem?

- Tudo bem. – E o homem levou a mão a sua coxa. Os olhos na estrada, a mão subindo por dentro da sua saia e Mirabel se entregava porque precisava ocupar a mente.



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