Os sinais do amor.

Mirabel é a típica garota do interior que, como todas as outras, é forçada a mudar quando vai para a cidade grande. A diferença é o porquê de ela ter ido. Desde o brusco assassinato de seu namorado, Mateus, pelo seu próprio pai, a cabeça da moça começou a funcionar de forma diferente. O que torna difícil distinguir o que é real do que é imaginação. Serão os fantasmas da sua mente ou a mente do seu fantasma? Mas a vida continua, ela precisa encontrar um novo amor. Só que isso não vai ser fácil, portanto, Mirabel vai precisar de uma ajudinha. E, olha só, adivinha de quem?

malditos.

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Oportunidade (?) - cap. 2

- Você pode me deixar naquela esquina. – Hora de voltar para casa e pensar no que havia feito. Será que Mateus gostaria de suas atitudes? Não importa, ele não estava mais ali.

- Devo te ligar, bonequinha?

- Evite.

- Ótimo. Não se fala mais nisso. Você é bem diferente, hein.

Estava longe de casa, mas a noite estava bonita. Ir andando provavelmente seria agradável. No caminho, a distração tomava conta de seus pensamentos. Estava tudo bem. No dia seguinte tinha trabalho. Seu primeiro dia na creche. Sempre fôra boa com as crianças. Foi uma boa conseguir aquele emprego. Não dava mais para ficar na tia sem ajudar nas despesas. Não receberia grande coisa. Porém, pouco é mais do que nada.

Já podia avistar sua casa. Um apartamento pequeno em um bairro muito perigoso, 2 quartos, um banheiro, sala e cozinha. Matilde, sua tia, não tinha filhos, não era casada, enfim, era como Mirabel, não tinha ninguém. Não se podia dizer que agora tinham uma a outra, não seria verdade.

- Onde e com quem você estava até agora, Mirabel?

- Deixa de ser amarga, tia. Já sou bem grandinha.

- É, mas você mora na minha casa. Me deve satisfações.

- É? E o que isso vai mudar pra você?

- Eu tenho o direito de saber.

- Você não é minha responsável.

- Você me deve sua vida, menina. Você não tem ninguém. E se não fosse por mim, não teria onde morar e nem o que comer.

- E você tem alguém?

- Sua atrevida! Só não mando você ir embora imediatamente por consideração à sua mãe, que Deus a tenha. Onde você estava, Mirabel?

- Se torna sua vida mais interessante, eu estava no carro de um homem de 52 anos, dando pra ele! Se sente melhor ou ficou com inveja?

- Sua vagabunda, vem aqui que eu vou te ensinar a me respeitar.

Mirabel se trancou no quarto. Tirou o vestido. Nojo do próprio corpo. Não faz mal. Ninguém precisa saber. Tirou o sutiã, a calcinha e, nua, admirava a linda pele. A pele que Mateus tanto beijara. Agora, imunda de outros homens. Enquanto sua tia gritava do outro lado da porta, Mirabel enxugava as lágrimas.

- Por que você foi me deixar?

Adormeceu. Iria encontrar com ele.

Na janela, a luz da lua fazia companhia a Mateus, que a olhava dormir.

- Eu nunca vou te deixar. – E foi para os sonhos da garota.

No dia seguinte, o sol invadia o quarto e Mirabel se lembrou do seu primeiro dia de trabalho. Crianças. Roupas claras, então. Calmas.

Um vestido azul, um casaco bege, meias finas e sapato alto. Creche de crianças ricas. Sabia que iria encontrar crianças difíceis, mimadas, esnobes e desobedientes. Não todas. Algumas.

Saiu do quarto e lá estava ela, Matilde.

- Sua arrogância fará você perder esse emprego logo, logo. Tente mantê-lo. Preciso do dinheiro.

- O dinheiro não é para você. Vou cuidar dos meus gastos e ajudar no aluguel.

- Esse apartamento não é alugado. É meu. Portanto, pague a mim metade do valor que seria o aluguel.

- Mas e a consideração à minha ‘boa mãe, que Deus a tenha’?

- Você não encontrará outro lugar para ficar por tão pouco.

- É por isso que você nunca casou. – E bateu a porta. Não tinha dinheiro para tomar café na rua. Teria de ficar com fome. Ao chegar, foi bem recebida por suas colegas de trabalho. Alice, Joana, Marcela e Ana Paula. Havia outra, muito, muito bonita.

- Quem é ela?

- Megan, ela não se dá muito bem conosco. Trabalha aqui apenas meio-período. Faz faculdade de moda. Não é flor que se cheire. – Respondeu Alice.

- Mas ela se dá bem com as crianças?

- Elas vivem chorando quando Megan se aproxima.

- Eu vou lá falar com ela.

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Tão doce... - cap. 1

Ele dirigia e ela olhava pela janela. Decerto, ele estava se sentindo poderoso. Ela ali, tão indefesa, com os cabelos ao vento e o sorriso no retrovisor. Os olhinhos brilhavam com o sol e com a emoção. Ambos, exarcebados, eufóricos. Por ela, a adrenalina, a curiosidade. Por ele, o poder.
Então, o que ele imaginava era só que ela estava em suas mãos. Não por obrigação ou medo. E sim por admiração, deslumbre. Ele achava que tinha poder sobre ela e que o tinha porque ela era regida por certa inocência, a qual nunca andara em carrões importados dirigidos por homens 30 anos mais velhos. Homens que queriam transformar essa inocência em curiosidade. Então, ele seguia pela estrada pensando na saia quente da garota e ela seguia os olhos pela mesma estrada, satisfeita o rumo que as coisas estavam tomando.
Ela não era nenhuma babaca. Aliás, só sendo muito boba para cair na conversa daquele velho safado. Já havia sido a moça iludida. Facilmente convencível. Já sonhou com casamentos e vidas simplesmente felizes. Ultimamente, vivia caindo em papinhos assim. Não gostava de lembrar quando tudo começou. Todas as noites em que a ficha caía, ela ficava estática deitada, olhando pro teto e percebendo quão idiota estava sendo. Porém, sem se culpar, sem se odiar, sem tentar mudar, sem se punir, sem se... surpreender... todas essas noites ficaram na memória. Então, ela dormia, inocente de culpa e de maldade. Desde que tudo começou.
Na verdade, não importa muito quantas bobagens se faz na vida. Se elas passam, não. Então críticas e julgamentos não a atingiam. Afinal, The Past is The Past.

The past is the past, ela colocava na cabeça. Tentava engolir as lembranças, para digerir o que já passou.

O passado é o passado. Mas como o que passa pode mudar tanto o que fica?

- Acabou! Ele não está mais aqui! – Ela fingia que pensava em outras coisas. Nos homens com os quais saía, nas festas, nas substâncias, na liberdade. Mas na verdade, o seu pensamento sempre estava nele. E Mirabel só notava isso quando falava algo assim, do nada, que só teria sentido para quem soubesse de sua história.

Mateus não estava mais ali. Nem ali perto, nem ali na cidade, nem ali no país, nem ali nesse mundo. Desde o incidente com o pai de Mirabel, no qual Mateus se meteu para evitar que a moça fosse violentada, ele não estava mais ali. O machado no celeiro, o cheiro do sangue na palha suja. O rapaz morto, Mirabel fugindo, seu pai ainda não havia desistido. Correu, gritou, algumas pessoas tentaram ajudar. Dois dias depois o enterro de Mateus e as malas prontas a caminho da cidade, para nunca mais voltar.

Mas como poderia viver sem ele? Ali ou em qualquer lugar? Principalmente naquele lugar. Moça de interior na cidade grande, com o coração partido pelo pai, ódio, saudades do amado, o único amado desde os seus 12 anos. O único beijo, o único segredo, o único toque, o único amigo. Ela não sabia mais viver sem ele.

Tentava fingir. Fingir que ele só estava longe. Fingir que apenas havia viajado por um tempo para longe dele. Fingir que iriam se reencontrar e seria uma noite muito especial.

Mas às vezes a verdade escapava...

- Acabou! Ele não está mais aqui!

- O que? Quem não está mais aqui? – Às vezes ela esquecia que estava acompanhada. E sempre estava acompanhada. Qualquer coisa para suprir a ‘falta’. Embora nada suprisse.

- Ah, nada, pensei alto. Tudo bem?

- Tudo bem. – E o homem levou a mão a sua coxa. Os olhos na estrada, a mão subindo por dentro da sua saia e Mirabel se entregava porque precisava ocupar a mente.



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